A evolução do design

abril 16, 2012 § Deixe um comentário

Enquanto o processo de regulamentação anda como um background task, me perguntei hoje a real mudança que os cursos de design vem sofrendo. São muitos “novos” conceitos: design centrado no usuário, design participativo, experiência do usuário, design thinking, design research, design estratégico, design de serviços… entre tantos outros.

Da minha experiência enquanto aluno – e por melhor que eu considere meu curso – pouco vi disso em sala de aula. Hoje “do outro lado” a minha visão é que pouco mudou. A dificuldade em encontrar estagiário (ou mesmo formado) que esteja minimamente por dentro desses termos “atuais” é grande. É a minha visão que está errada? Espero que sim, mas creio que não.

O que me motivou a escrever sobre isso foi um artigo que acabei de ler na Core77 e que me ganhou já nos seus dois primeiros parágrafos:

If you went to ID school in, say, the ’70s or ’80s, it would have been adequate to teach you how to draw, carve hair dryers out of foam or sculpt car fenders out of clay. And you probably would not have interacted much with students from other majors. These days you’d expect a lot more from your program. With mere consumerism moving into industrial design education’s rearview mirror and interdisciplinarianism (how’s that for a word) coming into its own, design schools have an opportunity to address far bigger issues. (CORE77, 2012)

Quem tiver interesse, leia o artigo na íntegra e não deixe de ver o vídeo.

Regulamentação: E agora, será que sai?

novembro 13, 2011 § 1 comentário

Alguns bons meses se passaram desde nosso último post no blog. Tantos meses quantos anos da novela da regulamentação do design.

A questão sempre foi polêmica, aprovação de um lado, desaprovação de outro, mesmo entre a própria “classe dos designers”. A verdade é que nunca houve uma união enquanto classe, nada muito menos se comparado a organização que advogados ou engenheiros têm, por exemplo. O que parece é que até mesmo as associações de design Brasil afora estão mais preocupadas com “o seu umbigo” do que com os designers – sejam estudantes, profissionais, professores ou pesquisadores. Se o Ministério da Educação induz a um caminho pela unificação das habilitações, por que as associações não seguem o mesmo caminho?

Mas vamos ao assunto em pauta (de acordo com o título do post). Em Maio de 2011, o deputado Penna (PV/SP), encaminhou o projeto de lei (download da lei) que regulamenta a profissão às Comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público e Constituição e Justiça e de Cidadania. No dia 10 deste mesmo mês a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou o projeto de lei (confira o parecer).

Ainda falta um bom caminho para a regulamentação, o próximo é o parecer da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Mas, ao que me consta, é o mais longe que já chegamos. Um agradecimento especial ao professor e coordenador Mauro Martin, do Centro de Design do Centro Universitário Ritter dos Reis, pelas informações para o post. 🙂

Saiba mais:

Câmara dos deputados – acesso ao PL 1391/2011

Apresentação da ADEGRAF sobre regulamentação da profissão

Alô você: ajude a divulgar o FALE Design

março 24, 2011 § 2 Comentários

Depois de um post que bateu todos os recordes de acesso e comentários aqui no blog, voltamos a algo que é um de nossos objetivos desde que o FALE Design surgiu: divulgar/falar sobre o ensino de design no Brasil. Para que isto seja possível, no entanto, é imprescindível que cada um de nós divulgue. Quando me refiro a nós não me refiro somente a aqueles que hoje são autores no blog ou fazem parte de nosso grupo de emails, me refiro a todos que leem este blog.

Nosso objetivo não é centralizar a informação e divulgá-la somente quando convém, e sim incentivar a discussão e, assim, ajudar a uma mudança positiva no ensino de design em nosso país. Pois bem, hoje venho pedir por uma simples ajuda: ajudar na divulgação de um cartaz.

Desenvolvido por Cesar Gelaskas, um dos autores do blog, ele objetiva o alcance a aqueles que não tem conhecimento sobre o FALE, sejam eles estudantes, professores, pais, avós, tios, vizinhos, ou qualquer interessado sobre #ensino #design #e #afins. Temos um alcance limitado a um nicho hoje mas acreditamos que podemos ir mais longe.

Mande para as suas faculdades, twitter, facebook, orkut (por que não? continua sendo a maior rede social do Brasil) ou imprima uma cópia e coloque naquele mural da sua faculdade. Segue o link para download do arquivo para impressão.

Tem twitter e gostaria de ajudar? Dá um RT na frase aí:

Conheça o @grupofaledesign, um espaço aberto para profissionais, docentes e estudantes! http://goo.gl/CnlEQ https://faledesign.wordpress.com/

🙂

Generalista já é realidade em federais

março 18, 2011 § 8 Comentários

Aquilo pelo qual o FALE Design surgiu (confira em detalhes) virou realidade:

Há algumas semanas atrás veio o aviso do Chefe de Departamento do CCE (UFSC) a uma integrante do centro academico do Design UFSC: design de animação, gráfico e produto, as 3 habilitações em design da universidade virariam generalistas ainda neste semestre.

Segundo o Chefe de Departamento o Ministério da Educação aprovou a diretriz no final de Dezembro/2010, sendo o semestre atual o primeiro para validade da regra. A conversa era conforme o que já era esperado: ou os cursos viravam tecnológicos ou um generalista.

Na instituição não existem cursos tecnológicos, somente licenciaturas e bacharelados. É meio que um “acordo de cavalheiros” entre a UFSC e o IF-SC (Intituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina), este último que atua com cursos técnicos e superiores de tecnologia também.

Pelo currículo recém criado, haverá uma formação básica nas duas primeiras fases (semestres), sendo, em seguida orientados pelos professores caso queiram se especializar em alguma área.

Na prática, em um curso bacharel generalista, o que vai determinar a qualidade de cada um será a prática e(ou) a representação disto no seu portfólio.

Sem me posicionar sobre a relevância da nova realidade (?) no cenário brasileiro de ensino de design, eu fico com aquela pulga atrás na orelha em por que eu não encontrei nenhum documento na internet que comprovasse essa tal aprovação de diretriz do Ministério da Cultura? Se alguém tiver este documento, por favor, passem o link, é do interesse de todos nós!

Mas seria o fim do grupo e do blog? Não, creio eu que não, desconsiderando qualquer outra possibilidade, esta mudança deve estar só começando.

 

Post colaborativo por: Luciano Annes Nunes e Daniele Diniz Warken

De lá pra cá…

fevereiro 27, 2011 § 1 comentário

Dias atrás o Lucas Queiroz (também autor aqui no FALE) mandou um email ao nosso grupo de email com a seguinte imagem sob título “descontraindo”:

Imagem de 9GAG.com

Além do tom engraçadinho da tira não há como desconsiderar o seu ponto de “verdade”. Vamos fazer uma análise da tira. No primeiro quadro, em 1960, os pais cobram do filho em relação a baixa nota tirada na escola. Castigo, palmadas na bunda, enfim… o filho perdia o direito a algo por ter tirado uma nota baixa. Aquela velha história da educação por compensação. No segundo quadro por outro lado, os pais juntos ao coitadinho do filho vão reclamar com a diretora em relação a baixa nota recebida. Claro, o lindinho não tem culpa e o método de ensino da escola é ultrapassadíssimo. Pode acontecer? Pode sim, mas me parece que este tipo de julgamento é, normalmente, “precipitado”.

Eu não concordo que agressão seja uma opção a se considerar aos pequenos, mas muitas vezes dou razão a expressão “foi falta de palmada”! Palmadas neste caso seria uma forma de chamar atenção do filho quando ele não estivesse certo ou mesmo tirasse uma nota baixa. A questão é achar o erro para chegar a solução.

Parece que as pessoas se esqueceram disso hoje em dia. O mais importante é chegar soluções para, então, poder evoluir. O erro pode estar em muitas situações que, no caso, vão desde problemas de concentração ou decifit de atenção até mesmo a uma assincronia comunicativa entre professor e aluno. Mas né… é tão mais fácil reclamar!

Estágio x Mercado – Quais são os Resultados?

fevereiro 16, 2011 § 2 Comentários

O estagiário é uma peça fundamental no “ramo do design”. É ele quem está dentro de dois campos centrais: o mercado e o ensino. Mas até onde essa relação paralela entre estudo e “trabalho” é saudável para estes jovens profissionais? Por vezes a teoria aprendida na faculdade não fica tão clara quanto na prática e, por falta da segunda, acaba gerando certos conflitos de idéias e ideais.

 

E como o estagiário deveria agir?

Mercado

Segundo a lei do estagiário, o estágio não caracteriza um tipo de emprego, ele “faz parte do projeto pedagógico do curso”. Sabe-se, por outro lado, que na maioria das vezes as coisas não funcionam assim mas o mercado exige o que acha necessário TO GET THE THINGS DONE! As empresas exigem (em sua maioria) que os estagiários tenham facilidade para trabalhar em grupos, conhecimento de softwares, pró-atividade. Até aí tudo bem, é uma questão simples de oferta x procura.


Faculdade

Para que seja válida a formação de um designer, a faculdade coloca uma grade onde se pode encontrar os seguintes temas abordados, como:
“Desenho; Computação Gráfica; História da Arte e do  Design; Teorias do  Design; Métodos e Técnicas de Projetos;  Meios de Representação, Comunicação e Informação; Ergonomia; Materiais e Processos de Fabricação; Gestão; Comunicação Visual; Semiótica; Psicologia; Fotografia; Ilustração; Interfaces; Tecnologias da Informação e  Comunicação; Ética e Meio Ambiente; Relações Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS)”; entre tantos outros, dependendo da grade de cada curso (que aliás mereceria vários tópicos aqui aqui no FALE). Na maioria dos casos cada uma dessas cadeiras avaliarão o conhecimento dos alunos por meio de testes, vulgo provas, que buscam quantificar a qualificação dos estudantes. Este tipo de avaliação tem foco basicamente em P&D, com pouca ênfase em finalização de trabalho ou projeto.

Legal, a teoria faz sentido: o que a faculdade não ensina o estágio sim! Mas e na prática, é isso mesmo Arnaldo?

 

Mercado X Ensino

E eis que Arnaldo responde rispidamente: “AHAM! SENTA LÁ CLAUDIA”.

Acontece que muitos no mercado não são e nem pretendem ser designers (já ouviram falar nos micreiros , eles ocupam, sim, boa parcela do “mercado de estágios em designer”), e fora isso, todo mundo gosta de dar pitaco sobre o design das coisas; é a coisa mais comum do mundo. Mas e aí? Onde fica a aplicação da teoria se na maior parte dos estágios
 os estagiários não recebem o suporte necessário?

E isso não é tudo, este “ensino prático” falho faz com que teorias aprendidas na universidade sejam confundidas no mercado. Erro de quem? Universidade? Mercado? Dos dois? De todo processo provavelmente.

Mas será que é melhor assim?  Tem muito curso Brasil afora focadas na formação de um profissional “pronto” para o mercado. E esses profissionais tem competência técnica quando saem dos seus cursos? A gente já mostrou aqui, que tem estatal no país dizendo que não! De que forma o perfil dos estudantes, orientados ou não pelo perfil dos cursos atuais, está influenciando a mudança do mercado? Ou será que a mudança é meramente quantitativa e de má qualidade?

Não vou encerrar meu post com respostas, acredito que o importante aqui seja a reflexão desta situação no ensino do Design (pra não falar em todo ensino no Brasil…).


2º Congreso Latinoamericano de Enseñanza del Diseño

fevereiro 1, 2011 § 1 comentário

Este está dedicado a nuestros maestros!

Entre 25 e 27 de Julho de 2011 acontecerá a segunda edição do Congreso Latinoamericano de Enseñanza del Diseño na cidade de Buenos Aires, Argentina. O Congresso, que tem um caráter acadêmico e gratuito, é organizado pela  Facultad de Diseño y Comunicación da Universidad de Palermo, e integra a agenda do Encuentro Latinoamericano “Diseño en Palermo”, aquele mesmo que já foi postado aqui no blog.

O Congresso, dedicado a professores, autoridades acadêmicas e pesquisadores atuantes na area del Diseño, é convocado pelo Foro de Escuelas de Diseño, a única rede formal e de intercâmbio acadêmico que reune mais de 230 instituições entre América-Europa. Este Foro tem como objetivo central contribuir para a união, desenvolvimento e fortalecimento profissional das instituições acadêmicas de ensino aderentes, através da experiência de partilhar, refletir, informar, produzir e comunicar as propostas e projetos, para ampliar as perspectivas e os fundamentos do designcomo uma profissão e disciplina.

POXA! Confesso que até eu fiquei interessado em participar, não parece que toda a América Latina está tão a frente culturalmente e que isso se reflete diretamente no nosso ensino do que o Brasil? Ou seria o contrário (o ensino é melhor e isso reflete na cultura do povo)? Acho que vale refletir sobre isso!

Seria muito importante se nossos professores e coordenadores participassem deste evento, não acham? Apresentem o evento a eles, mandem este post para eles por email, twitter, facebook, carta, telegrama, enfim, o que não pode é ficar de fora dessa.

A inscrição em todas atividades é gratuita e só pode ser realizada pela internet até 24 de Junho. Lembrando que somente docentes, autoridades acadêmicas e pesquisadores atuantes na area de Design podem se inscrever. Se este é o seu caso, faça a inscrição agora mesmo! Os interessados podem enviar propostas de atividades (papers, posters e afins), também.

Segue um video sobre o Encuentro Latinoamericano del Diseño do ano passado:

[Download – Agenda completa do evento]

[Download – Guia do participante]