A evolução do design

abril 16, 2012 § Deixe um comentário

Enquanto o processo de regulamentação anda como um background task, me perguntei hoje a real mudança que os cursos de design vem sofrendo. São muitos “novos” conceitos: design centrado no usuário, design participativo, experiência do usuário, design thinking, design research, design estratégico, design de serviços… entre tantos outros.

Da minha experiência enquanto aluno – e por melhor que eu considere meu curso – pouco vi disso em sala de aula. Hoje “do outro lado” a minha visão é que pouco mudou. A dificuldade em encontrar estagiário (ou mesmo formado) que esteja minimamente por dentro desses termos “atuais” é grande. É a minha visão que está errada? Espero que sim, mas creio que não.

O que me motivou a escrever sobre isso foi um artigo que acabei de ler na Core77 e que me ganhou já nos seus dois primeiros parágrafos:

If you went to ID school in, say, the ’70s or ’80s, it would have been adequate to teach you how to draw, carve hair dryers out of foam or sculpt car fenders out of clay. And you probably would not have interacted much with students from other majors. These days you’d expect a lot more from your program. With mere consumerism moving into industrial design education’s rearview mirror and interdisciplinarianism (how’s that for a word) coming into its own, design schools have an opportunity to address far bigger issues. (CORE77, 2012)

Quem tiver interesse, leia o artigo na íntegra e não deixe de ver o vídeo.

De lá pra cá…

fevereiro 27, 2011 § 1 comentário

Dias atrás o Lucas Queiroz (também autor aqui no FALE) mandou um email ao nosso grupo de email com a seguinte imagem sob título “descontraindo”:

Imagem de 9GAG.com

Além do tom engraçadinho da tira não há como desconsiderar o seu ponto de “verdade”. Vamos fazer uma análise da tira. No primeiro quadro, em 1960, os pais cobram do filho em relação a baixa nota tirada na escola. Castigo, palmadas na bunda, enfim… o filho perdia o direito a algo por ter tirado uma nota baixa. Aquela velha história da educação por compensação. No segundo quadro por outro lado, os pais juntos ao coitadinho do filho vão reclamar com a diretora em relação a baixa nota recebida. Claro, o lindinho não tem culpa e o método de ensino da escola é ultrapassadíssimo. Pode acontecer? Pode sim, mas me parece que este tipo de julgamento é, normalmente, “precipitado”.

Eu não concordo que agressão seja uma opção a se considerar aos pequenos, mas muitas vezes dou razão a expressão “foi falta de palmada”! Palmadas neste caso seria uma forma de chamar atenção do filho quando ele não estivesse certo ou mesmo tirasse uma nota baixa. A questão é achar o erro para chegar a solução.

Parece que as pessoas se esqueceram disso hoje em dia. O mais importante é chegar soluções para, então, poder evoluir. O erro pode estar em muitas situações que, no caso, vão desde problemas de concentração ou decifit de atenção até mesmo a uma assincronia comunicativa entre professor e aluno. Mas né… é tão mais fácil reclamar!

Estágio x Mercado – Quais são os Resultados?

fevereiro 16, 2011 § 2 Comentários

O estagiário é uma peça fundamental no “ramo do design”. É ele quem está dentro de dois campos centrais: o mercado e o ensino. Mas até onde essa relação paralela entre estudo e “trabalho” é saudável para estes jovens profissionais? Por vezes a teoria aprendida na faculdade não fica tão clara quanto na prática e, por falta da segunda, acaba gerando certos conflitos de idéias e ideais.

 

E como o estagiário deveria agir?

Mercado

Segundo a lei do estagiário, o estágio não caracteriza um tipo de emprego, ele “faz parte do projeto pedagógico do curso”. Sabe-se, por outro lado, que na maioria das vezes as coisas não funcionam assim mas o mercado exige o que acha necessário TO GET THE THINGS DONE! As empresas exigem (em sua maioria) que os estagiários tenham facilidade para trabalhar em grupos, conhecimento de softwares, pró-atividade. Até aí tudo bem, é uma questão simples de oferta x procura.


Faculdade

Para que seja válida a formação de um designer, a faculdade coloca uma grade onde se pode encontrar os seguintes temas abordados, como:
“Desenho; Computação Gráfica; História da Arte e do  Design; Teorias do  Design; Métodos e Técnicas de Projetos;  Meios de Representação, Comunicação e Informação; Ergonomia; Materiais e Processos de Fabricação; Gestão; Comunicação Visual; Semiótica; Psicologia; Fotografia; Ilustração; Interfaces; Tecnologias da Informação e  Comunicação; Ética e Meio Ambiente; Relações Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS)”; entre tantos outros, dependendo da grade de cada curso (que aliás mereceria vários tópicos aqui aqui no FALE). Na maioria dos casos cada uma dessas cadeiras avaliarão o conhecimento dos alunos por meio de testes, vulgo provas, que buscam quantificar a qualificação dos estudantes. Este tipo de avaliação tem foco basicamente em P&D, com pouca ênfase em finalização de trabalho ou projeto.

Legal, a teoria faz sentido: o que a faculdade não ensina o estágio sim! Mas e na prática, é isso mesmo Arnaldo?

 

Mercado X Ensino

E eis que Arnaldo responde rispidamente: “AHAM! SENTA LÁ CLAUDIA”.

Acontece que muitos no mercado não são e nem pretendem ser designers (já ouviram falar nos micreiros , eles ocupam, sim, boa parcela do “mercado de estágios em designer”), e fora isso, todo mundo gosta de dar pitaco sobre o design das coisas; é a coisa mais comum do mundo. Mas e aí? Onde fica a aplicação da teoria se na maior parte dos estágios
 os estagiários não recebem o suporte necessário?

E isso não é tudo, este “ensino prático” falho faz com que teorias aprendidas na universidade sejam confundidas no mercado. Erro de quem? Universidade? Mercado? Dos dois? De todo processo provavelmente.

Mas será que é melhor assim?  Tem muito curso Brasil afora focadas na formação de um profissional “pronto” para o mercado. E esses profissionais tem competência técnica quando saem dos seus cursos? A gente já mostrou aqui, que tem estatal no país dizendo que não! De que forma o perfil dos estudantes, orientados ou não pelo perfil dos cursos atuais, está influenciando a mudança do mercado? Ou será que a mudança é meramente quantitativa e de má qualidade?

Não vou encerrar meu post com respostas, acredito que o importante aqui seja a reflexão desta situação no ensino do Design (pra não falar em todo ensino no Brasil…).


Por que o ensino de Design deve mudar?

dezembro 7, 2010 § 1 comentário

Através do RT de Alberto Cairo (@albertocairo) no twitt de José Kusunoki (@jkusunoki), professor de ‘Introducción a los Medios Digitales’ na Universidad Peruana de Ciencias Aplicadas, cheguei ao interessantíssimo texto de Don Norman, autor do livro “Emotional Design”, entre outros. Trata-se de: por que o ensino de Design deve mudar? O autor discorre sobre uma série de assuntos que o designer se preocupa, quando não deveria se preocupar tanto, como a perfeição em representações de desenhos e renderings (tratando o design como artes aplicadas); e de tantos outros problemas existentes que este deveria focar porém ignora como, por exemplo, a cognição e a emoção humanas.

O que me chamou muito a atenção não foi nem a crítica por parte do autor aos cursos alocados em centros de artes e arquitetura nas universidades, mas a preocupação que estudantes de design deveriam ter em aprender a descobrir e como descobrir as necessidades dos seres humanos (que vão além de usar suas próprias experiências de vida). Ele ainda faz uma crítica generalizada às conferências de design afirmando que as bancas examinadoras costumam ser falhas fazendo com que os eventos não tenham qualidade, apesar dos esforços dos pesquisadores.

Estando em estágio ainda inicial do curso de design não sei se o texto é desanimador, ao vislumbrar as fases que ainda estão por vir e pouco tem a ver com as disciplinas citadas; ou animador, já que tenho bons anos pela frente para colocar este assunto em pauta dentro da academia. Acho válido que uma reflexão geral sobre isso seja feita, afinal porque estudamos design? Para quem projetamos?

Quem tiver interesse em ler mais sobre o assunto deveria começar pelo texto que me inspirou fazer este post: Why design education must change de Don Norman.

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